Aquecimento global virou um tema batido. Tenho a impressão de que as pessoas já não querem mais saber sobre isso, ou acham que sabem o suficiente e que já fazem o máximo possível da sua parte. E o pior de tudo: eu acredito que muitas pessoas se conformaram com o conforto que é acreditar que, no final, vai ficar tudo bem. Que sempre vai ter algum cientista pra encontrar uma solução pra cada problema e que nossas atitudes e escolhas individuais não impactam no coletivo.
Por outro lado, existem pessoas que, como eu, são ativistas esgotados. Porque é extremamente exaustivo tentar levar pras pessoas informação e educação que precisam ser ouvidas com URGÊNCIA e ver que elas não se importam. Na verdade, muitas vezes nos tratam como inconsequentes, loucos e desocupados, nos olham de cara feia em protestos como se fosse imoral e absurdo estar pacificamente “lutando” por um mundo melhor e mais digno pra todos. E isso tem até nome: especialistas chamam esse sentimento crescente de “fadiga climática” [1], quando o assunto se torna tão constante e pesado que muita gente prefere ignorar, minimizar ou fingir que não é com ela.
O mundo entrou em falência hídrica [2]. Isso significa que já ultrapassamos a fase de crise hídrica (algo temporário e reversível) pra um estado muito mais grave e permanente, onde os danos aos ecossistemas e aos estoques de água se tornam irreversíveis ou caros demais pra reverter. Não é mais só uma “fase ruim” ou uma seca passageira, é um sinal de colapso estrutural.
Simplesmente utilizamos tanta água nas últimas décadas que conseguimos entrar num estado de falência. E o mais assustador é que isso não acontece só porque “faltou chuva”, mas porque a demanda humana aumentou num ritmo absurdo: agricultura intensiva, desmatamento, crescimento urbano, poluição de rios e desperdício industrial estão drenando e destruindo as fontes de água doce do planeta antes que elas consigam se recuperar [3].
E me causa revolta o fato de que o governo e a mídia continuam constantemente empurrando goela abaixo de cada um de nós a ideia de que podemos “economizar água” fechando a torneira enquanto escovamos os dentes, lavando o quintal com balde ao invés de mangueira, tomando banho com duração menor do que quinze minutos. Espalham essas informações pra população como se essa fosse a maneira mais eficaz de evitar situações como essa.
Quando, na verdade, o setor que mais gasta água no mundo (cerca de 70% da água doce retirada globalmente) é justamente a agropecuária [3]. Enquanto nos mandam economizar 12 litros fechando a torneira ao escovar os dentes, ou 18 litros tomando um banho um pouco mais curto, uma única escolha alimentar já economiza centenas ou milhares de litros de água. Comprar 1 litro de leite de soja em vez de leite de vaca pode economizar cerca de 752 litros de água [4]. Comer um hambúrguer vegetal em vez de um hambúrguer de carne pode economizar mais de 2.000 litros [4]. Isso em uma única refeição. A água utilizada mundialmente pra manter mais de 92,2 bilhões de animais terrestres por ano é gigantesca [5], a começar por toda a água direcionada para monoculturas como a soja, sendo que a maior parte da produção mundial dessa soja não é nem pra alimentar pessoas diretamente, mas sim pra virar ração pra gado [6].
Ou seja, a conta não é nem um pouco complicada de se fazer. Uma das maneiras mais eficazes de evitar que essa falência se espalhe por todos os cantos do mundo é justamente acelerar a transição pra uma alimentação à base de plantas [7]. Mesmo assim, eu continuo vendo campanhas rasas e infundadas nos municípios do Brasil pra fingir que o governo se importa com a situação atual do clima mundial. Nem sequer consideram incluir organizações que colocam em pauta o que realmente impacta o clima em maior escala.
Ignoram o fato de que a maior parte da nossa pegada individual de carbono vem justamente da nossa alimentação. O sistema alimentar é responsável por cerca de um terço das emissões globais de gases do efeito estufa [8]. E isso acontece porque a produção de comida envolve não apenas cultivos e pecuária, mas também várias etapas como desmatamento, fertilizantes, transporte, processamento e desperdício de alimentos.
A agropecuária também tem um papel enorme na emissão de metano, um gás extremamente potente, que aquece a atmosfera até 87 vezes mais do que o CO² [9]. E o metano sozinho já é responsável por uma parcela muito significativa do aquecimento global atual, principalmente por causa da pecuária intensiva e da criação de animais em larga escala [10].
Os alimentos de origem animal emitem significativamente mais gases do que legumes, vegetais e grãos, além de exigirem muito mais terra e água [11]. Hoje, a maior parte das terras agrícolas do planeta (entre 77-83%) é destinada direta ou indiretamente à pecuária [12], e seguimos poluindo e gastando recursos pra alimentar mais de 92 bilhões de animais terrestres por ano [5], enquanto bilhões de pessoas no mundo vivem em insegurança alimentar [13].
O governo precisa educar a população quanto a isso. Precisa valorizar e ensinar as pessoas a valorizar a alimentação vegetal, a agricultura e a diversidade brasileira. Precisa educar as pessoas sobre o fato de que uma alimentação à base de plantas pode, sim, conter todos os nutrientes necessários pra uma vida saudável e completa, desde que seja bem planejada [14].
E precisa, assim como já fez com o flúor na água, o iodo no sal e o ferro e ácido fólico na farinha, começar a tratar isso como questão de saúde pública e introduzir a vitamina B12 em alimentos de consumo básico. Justamente porque a B12 não é uma “vitamina da carne”, ela é produzida por micro-organismos, e na produção moderna muitos animais já recebem suplementação direta ou indireta [15] [16]. Ou seja, mesmo pessoas que comem carne no dia a dia muitas vezes continuam tendo deficiência e precisam suplementar de qualquer forma [17], então faz muito mais sentido garantir isso de forma acessível e preventiva pra toda a população.
A alimentação à base de plantas é uma alimentação muito mais acessível para pessoas em estado de pobreza [18]. Vegetais, legumes, grãos e frutas são muito mais ricos em nutrientes essenciais do que qualquer pedaço de carne, além de serem mais baratos, mais fáceis de armazenar e muito mais versáteis no dia a dia.
Arroz, feijão, lentilha, grão-de-bico, mandioca, batata-doce, milho, aveia, verduras e frutas da estação são alimentos que sustentam de verdade, alimentam e nutrem famílias inteiras e custam muito menos do que carnes, laticínios e ultraprocessados de origem animal [19]. E ainda são opções que podem ser compradas a granel, rendem por vários dias e não dependem tanto de refrigeração imediata, o que faz toda a diferença pra quem vive sem estrutura ou com pouca condição de conservar alimentos.
Além disso, é impossível ignorar que a carne sempre foi um dos alimentos mais caros da cesta básica [20]. A ideia de que todo mundo deveria ter carne todos os dias é recente e artificial, porque no mundo real isso nunca foi acessível pra maioria [20]. Uma alimentação baseada em plantas é, historicamente, o que sempre alimentou populações inteiras, e pode ser uma das maiores ferramentas de segurança alimentar e saúde pública num planeta que está entrando em colapso climático [21] [22]. E mesmo assim, o governo continua tratando a carne como “essencial” e a alimentação vegetal como se fosse moda ou militância, quando na verdade ela é uma questão de sobrevivência, justiça social e dignidade.
Também tenho a impressão de que as pessoas deixam de considerar que, sem água e com climas extremos, não vai existir comida saudável [23]. O que nos restará? Comer comida de astronauta? O planeta inteiro depende de estabilidade pra plantar, colher e alimentar populações [24]. E não existe alimentação “normal” num mundo onde o clima está desmoronando.
Atualmente, cerca de 733 milhões de pessoas enfrentam fome crônica no mundo, e mais de 2 bilhões vivem em insegurança alimentar moderada ou grave [13]. Outros 839 milhões seguem em pobreza extrema [25]. Ou seja, a maioria da humanidade não consegue simplesmente “escolher o que comer” no dia a dia, porque está ocupada demais tentando sobreviver [26].
E mesmo num mundo onde a alimentação de origem animal é tratada como padrão e como normal, a realidade é que só uma parcela pequena da população consegue ter carne no prato todos os dias [20]. Isso não é sustentável, nem justo, nem lógico. Se a comida mais comum exige tanto recurso, tanta água, tanta terra e tanto sofrimento, será que isso não significa que já passou da hora de mudar?
Cerca de 50 a 70% da população brasileira possui algum nível de intolerância à lactose [27]. Globalmente, aproximadamente 2 em 3 pessoas (68-75% da população mundial) perdem a capacidade de digerir lactose após a infância [68] [69]. Isso não é minoria. Ou seja, o “normal” nunca deveria ter sido tratar leite de vaca como padrão obrigatório. O normal deveria ser justamente uma alimentação mais baseada em plantas, e alternativas como o leite vegetal deveriam ser muito mais comuns e acessíveis.
Produzir bebidas de soja, aveia ou outras bases vegetais exige menos terra e menos água do que manter um animal por anos, alimentá-lo diariamente e sustentar toda uma cadeia que envolve ração, antibióticos, veterinários, instalações, ordenha mecânica e abate. A pecuária leiteira não é só “tirar leite”, é uma indústria gigantesca e altamente poluente.
E não dá pra ignorar o impacto climático disso. As vacas emitem metano principalmente através da digestão, e esse gás é extremamente potente no aquecimento global [29]. Segundo dados amplamente reconhecidos, a pecuária é uma das maiores responsáveis pelas emissões do setor agropecuário no mundo [30], e continua sendo tratada como algo intocável, mesmo com alternativas muito mais eficientes já disponíveis.
Mesmo os alimentos à base de plantas sendo mais acessíveis, mais baratos de produzir, emitirem significativamente menos poluentes e utilizarem menos recursos naturais, nosso governo, ocupado fortemente por uma bancada pecuarista que só quer saber do próprio bolso, continua fomentando leis que diminuem impostos sobre carnes e laticínios e tornam inacessíveis pra população alternativas como o leite vegetal [31] [32]. Produtos que poderiam ser mais baratos acabam carregando impostos e barreiras que deixam tudo mais caro e inviável, fazendo parecer que não existe outra opção além do que já foi normalizado à força pra população geral.
Inclusive, ao falarmos de acessibilidade, pobreza e clima, vemos um padrão claro de itens antes opcionais que agora viraram essenciais. O ar-condicionado se tornou indispensável em muitas regiões do mundo devido ao aumento da temperatura média global desde a era pré-industrial [33], com ondas de calor que matam milhares de pessoas todos os anos, como aconteceu na Europa em 2022, com 61 mil mortes associadas ao calor extremo [34]. Ventiladores já não bastam pra lidar com picos acima de 45°C em áreas urbanas, e aquecedores também ganham espaço em invernos cada vez mais instáveis e rigorosos.
E o mais cruel é que essas mudanças atingem justamente quem menos tem condições de se adaptar [35]. Bilhões de pessoas já vivem em insegurança alimentar e mal conseguem comprar o básico [13], quanto mais geladeiras, ar-condicionado ou qualquer aparelho caro que custa o equivalente a meses de salário. O clima está transformando conforto em necessidade, e necessidade em privilégio.
Também já passou da hora de o governo brasileiro facilitar a instalação de energia solar em todas as casas, com isenções de impostos, financiamentos acessíveis e sistemas gratuitos pra famílias pobres. Em vez disso, criaram a chamada “taxação do sol”, dificultando o acesso à geração própria de energia e colocando taxas crescentes sobre quem produz energia solar e devolve o excedente pra rede [36]. Isso trava uma das alternativas mais importantes justamente num momento em que nossas cidades crescem verticalmente, com mais prédios, mais ar-condicionado por metro quadrado, mais eletrônicos, mais consumo constante de energia, e cada vez mais pressão sobre recursos que já estão se esgotando. Se a crise climática é também uma crise de água, comida e sobrevivência, então energia limpa e acessível não deveria ser tratada como luxo ou punição, mas como prioridade imediata.
O governo brasileiro tão pouco se importa com o clima e com a saúde da população que continua comprando carne de cação (um rótulo comercial que pode representar qualquer uma das 20+ espécies diferentes de tubarões e arraias vendidas sob esse nome[62]) pra servir em merendas escolares, prisionais e espaços públicos, poucos são os municípios que diferem [37]. E o mais triste é que muita gente nem sabe disso, porque “cação” é um nome usado justamente pra esconder que aquilo é tubarão [38]. É um absurdo ter um governo que, além de ser o país que mais consome e importa carne de tubarão e arraia [39], se recusa a sequer educar a população sobre o que realmente está sendo consumido.
Estamos falando de uma carne que pode ser tóxica, por acumular metais pesados [40], e que contribui diretamente pra acelerar a extinção de animais essenciais pro equilíbrio do oceano. Aproximadamente 1 em 4 espécies de tubarões e arraias já estão ameaçadas [41], e estamos eliminando em ritmo absurdo um dos maiores predadores marinhos que existem.
E tudo isso acontece num planeta onde o oceano é literalmente o que mantém a vida de pé. O oceano sozinho absorve a maior parte do excesso de calor gerado pela ação humana e é responsável por produzir grande parte do oxigênio que respiramos [42] [43].
Enquanto isso, aproximadamente 2,7 trilhões de animais marinhos são mortos todos os anos pela ação humana através de pesca comercial [44] [45], e cerca de 11 milhões de toneladas de plástico são despejadas anualmente nos oceanos [46]. Uma parte enorme desse plástico vem justamente de redes fantasmas abandonadas pela pesca industrial, redes gigantes que continuam matando sozinhas por anos, como armadilhas invisíveis [47].
E a pesca de arrasto é uma das práticas mais destrutivas que existem. Não estamos falando de uma rede pequena ou de “pesca normal”. Estamos falando de redes gigantescas, do tamanho de vários campos de futebol, que descem da superfície até o fundo do oceano e são arrastadas como um trator submarino [48] [49]. Elas passam raspando tudo pela frente, corais, plantas marinhas, tartarugas, golfinhos, peixes que nem eram alvo da pesca, e basicamente qualquer forma de vida que estava ali. É como se pegassem uma máquina enorme e saíssem arando o fundo do mar, destruindo ecossistemas inteiros que levaram séculos pra existir.
Nossas ações atuais, e a forma manipulada como o governo atua e “conscientiza”, não estão sendo suficientes. O foco exclusivo nos combustíveis fósseis muitas vezes funciona como uma cortina de fumaça pro verdadeiro problema. E lógico que os combustíveis fósseis, assim como outras formas de poluição, também precisam ser erradicados, mas precisamos colocar em pauta urgentemente aquilo que já é comprovado como uma das maneiras mais eficazes de frear essa situação emergencial extrema na qual nos encontramos [50].
A imprevisibilidade climática não é engraçada. O clima instável não é instagramável, a neve em lugares que não costumavam ter não é entretenimento nem turismo. O calor extremo não é piada. O mundo está expressando a situação de maneira clara e parece que todo mundo está ignorando. Enchentes, geadas, ciclones, ressacas marítimas e outros desastres naturais vão continuar acontecendo se não mudarmos nossos hábitos, e vão destruir tudo o que passamos a vida inteira batalhando pra conquistar.
Não é melhor evitar essa situação começando a agir já? Porque hoje parece mais “legal” se importar com fofoca fútil de subcelebridade que tem dinheiro pra se reerguer depois da tragédia. Hoje parece mais legal gastar comprando coisas inúteis que só vão virar mais lixo. Mas o amanhã está cada vez mais imprevisível. E ninguém consegue controlar o clima. Ninguém.
Como pode a única forma de conscientização da população brasileira ficar nas costas de ONGs que se sustentam apenas com doações de uma minoria que conhece e se importa com o tema? Como pode o governo não se preocupar com o futuro da humanidade? Virar as costas pra situações que se tornam irreversíveis pelos próximos duzentos anos [51]?
É revoltante ouvir pessoas dizendo até que ONGs ambientais são “financiadas pela indústria” ou pelo setor de combustíveis fósseis, como se fossem parte do mesmo sistema que elas denunciam. Isso é uma mentira absurda, muitas vezes repetida justamente como forma de desviar o foco do real problema. Porque é exatamente o contrário: essas ONGs passam a vida lutando contra a grande indústria bilionária do agro e dos combustíveis fósseis, que tem dinheiro infinito pra propaganda, lobby, influência política e manipulação [52] [53] [54] [55].
A maioria dessas organizações vive pedindo por doações, com recursos baixíssimos, fazendo o possível com quase nada. Muitas só continuam existindo graças à força, à paixão e ao trabalho voluntário de ativistas que dedicam a própria vida pra tentar evitar um colapso que deveria estar sendo tratado como prioridade máxima pelo Estado.
E não podemos esquecer que é nossa responsabilidade escolher bem quem está no governo. Nosso voto individual, assim como nossas atitudes cotidianas, é capaz de mudar a realidade [56] [57]. Por isso é tão importante votar em políticos acessíveis e que se importam com pautas reais, que realmente fazem a diferença, e parar de normalizar líderes que tratam o colapso climático como detalhe ou exagero.
Precisamos reconhecer o impacto dos nossos atos individuais e assumir responsabilidade por eles. Eu vejo MUITAS pessoas dizendo que a culpa de tudo isso é dos bilionários e das grandes empresas, e lógico que eles têm um peso enorme, mas quem sustenta essas empresas? Quem gera demanda? Quem normaliza esse consumo todos os dias? Se todo mundo continuar agindo como se a atitude individual não fizesse diferença, então são 8 bilhões de pessoas que “não fazem diferença” [58]. Isso é literalmente toda a humanidade. O coletivo só existe porque é feito de indivíduos.
E diante dessas mudanças climáticas, do aquecimento global e dos desastres naturais cada vez mais frequentes, enquanto a gente não adotar medidas individuais eficazes com urgência, estamos cada dia mais perto de uma Terceira Guerra Mundial. E eu não falo isso como exagero: guerras sempre aconteceram por recursos, e a próxima grande crise vai ser por comida e por água [59] [60] [61]. Um país invadindo o outro pra tomar terra fértil, estoques, rios, produção. Porque se hoje já é realidade que só pessoas ricas conseguem comprar comida orgânica, saudável, sem veneno, imagina nesse futuro próximo de escassez alimentar num mundo onde o clima não permite plantação estável. O que vai sobrar pra população comum? E se os bilionários encontrarem alguma forma de produzir comida “saudável” em laboratório ou em sistemas fechados, quem você acha que vai ter acesso? Os pobres? A classe média? Ou os mesmos de sempre?
O quão egoístas somos pra nos preocuparmos apenas com a nossa geração e não com o que vamos deixar pra trás?
Se já existem alimentos vegetais com a mesma textura e gosto de alimentos de origem animal, em que momento paramos de nos importar com as pessoas e com o meio ambiente?
Enquanto governos e grandes conferências climáticas continuam ignorando ou minimizando o impacto gigantesco dos sistemas alimentares no meio ambiente, e enquanto o próprio Acordo de Paris permite que cada país escolha a forma mais confortável e conveniente de agir [63], iniciativas mais diretas e honestas começam a crescer por fora desses espaços. Um grande exemplo é o Tratado à Base de Plantas (Plant Based Treaty), um movimento internacional que busca colocar a alimentação no centro da discussão climática, justamente porque já está mais do que comprovado que transicionar para sistemas alimentares vegetais é uma das maneiras mais eficazes de reduzir emissões, uso de água, desmatamento e sofrimento em escala global [64] [65] [66]. Esse tratado vem reunindo apoio de pessoas comuns, empreendimentos de todos os setores, figuras públicas, políticos e até cidades inteiras pelo mundo [67], pra que nossas ações individuais e coletivas sejam realmente eficientes, e não apenas promessas vazias repetidas ano após ano. Assine e compartilhe: https://plantbasedtreaty.org/pt/
Não dá mais pra tratar isso como opinião. É sobrevivência.
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